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Novamente Geografando

Este blog organiza informação relacionada com Geografia... e pode ajudar alunos que às vezes andam por aí "desesperados"!

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Vila do Bispo rasga arriba fóssil com 250 milhões de anos para facilitar acesso à praia

Mäyjo, 30.04.16

 

Geomonumento da praia do Telheiro na Costa Vicentina, considerado exemplar único no mundo, pode vir estar em perigo devido à massificação turística.

Em Sagres, a Câmara Municipal de Vila do Bispo terraplanou uma arriba fóssil quaternária para facilitar o acesso à praia do Telheiro, um dos muitos locais da Costa Vicentina que ainda está em estado natural. Consequências? Os geólogos receiam que a abertura do caminho seja o primeiro passo para colocar em perigo o geomonumento do Praia do Telheiro, considerado pelo geólogo Galopim de Carvalho “muito mais importante do que o internacionalmente conhecido Siccar Point, na Escócia”, e que figura em tudo o que é manual de geologia por esse mundo fora.

Carla Cabrita, guia da natureza, foi a primeira a insurgir-se contra esta intervenção. Ao toque de alarme, dado há um mês, respondeu de imediato a comunidade científica. Galopim de Carvalho, na sua página do Facebook, destacou a importância do geomonumento, deixando um alerta: “Urge defendê-lo do camartelo do progresso, que o desinteresse, quase sempre fruto da ignorância de quem decide, põe em risco”. 

No mesmo sentido manifesta-se, em resposta ao PÚBLICO, Ana Ramos Pereira, da Universidade de Lisboa: “Está ali um monumento que não se vê em mais lado nenhum em Portugal, e é muito raro encontrar mesmo na Europa”.
O presidente da Câmara de Vila do Bispo, Adelino Soares, desvalorizou estas críticas: “Só fizemos melhoramentos num caminho pré-existente”. Porém, neste caso, trata-se de uma zona sensível, situada na área do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina. Por conseguinte, a Inspecção-Geral da Agricultura, do Mar, do Ambiente e do Ordenamento do Território (IGAMAOT), no passado dia 15, determinou a “necessidade de suspender qualquer intervenção na área enquanto não for devidamente comprovada a legalidade das intervenções em causa”. Uma “medida preventiva” já comunicada ao município. 

Entretanto, a IGAMAOT, interpelado pela PÚBLICO, adiantou que foram efectuadas “diligências junto do ICNF” [Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas], dando nota de que tais acções “poderão consubstanciar a violação dos planos especiais incidentes sobre a área”.

O autarca, socialista, diz não compreender o “fundamentalismo” com que o assunto está a ser encarado. “Só pretendemos melhorar o acesso à praia do Telheiro [não vigiada], permitindo o acesso aos veículos de socorro em caso de acidente”, justifica. Mas, de seguida, passa ao contra-ataque: “Criticam, mas não sabem do que falam, porque não foram ao local, só viram fotografias”. 

Além do caminho existente, agora terraplanado e alargado, foi prolongado o acesso, em mais 150 metros, até ao topo da arriba — um sítio onde só ocasionalmente circulavam veículos todo-o-terreno.
Paulo Fernandes, professor da Universidade do Algarve que investiga o geossítio há 25 anos, acha que “houve pouco cuidado” da parte da câmara nesta intervenção, embora reconheça que já lá existia um caminho. Mas, com a obra efectuada — sublinha —, vai ser possível estacionar no topo da arriba, o que, “além de proibido, é perigoso e potencia o risco de desmoronamento”. 

Por seu lado, Ana Ramos Pereira, especialista em geomorfologia, que fez a sua tese de doutoramento sobre esta área, lembra que a morfologia permite “ler e compreender a evolução deste território com 250 milhões de anos”. O geomonumento, explica, é muito mais do que a parte rochosa que se destaca no horizonte. “Toda a Costa Vicentina é um geopatrimónio“, sublinha Ana Ramos Pereira. Porém, não subscreve a tese “fundamentalista” de restringir o acesso ao usufruto deste património como forma de o preservar. A melhor forma de o defender, enfatiza, “é divulgar o seu valor”.

O geomonumento da praia do Telheiro dá lições de História, sublinha Galopim de Carvalho: “Houve aqui, há centenas de milhões de anos, um antigo continente em aproximação, que acabou por se fechar na sequência da colisão que os uniu”. Desse choque resultou a formação de uma “grande cadeia de montanhas, parte dela estendendo-se pelo que é hoje o sul da Europa, incluindo a Península Ibérica”.

Falar com as plantas 
Quando chega ao local, Carla Cabrita, guia da natureza há cinco anos, não resiste à tentação: começa a fazer festinhas aos tomilhos-do-mar como se estivesse a passar a mão pelo dorso de um gato. A planta, uma espécie protegida, responde às caricias libertando o seu perfume natural. “Adoro este cheiro “, diz a guia, inspirando, num gesto meditativo. Aproxima-se um casal de surfistas num carro de matrícula espanhola.

A viatura estaciona e, do interior, uma jovem atira um primeiro olhar à ondulação. O chamamento do mar surge de imediato: saltam e descem a montanha até à praia do Telheiro. “O meu receio é a massificação, espero que a destruição que se verificou noutras zonas do Algarve não se repita aqui”, observa Carla, natural do concelho. A actividade profissional que desenvolve começou pela paixão que tem pelas plantas silvestres. Ao mesmo tempo que caminha pelos trilhos, vai dando explicações aos turistas sobre a importância da biodiversidade daquele espaço. “Olha a violeta de Sagres”, diz Carla, soltando um sorriso de surpresa porque não seria suposto a planta estar tão bonita nesta época do ano. “Nos últimos tempos descobri que a geologia é a base de tudo”, afirma. Por isso, promete queixar-se às entidades europeias, “se nada for feito em Portugal” em defesa do geossítio.

 

in: http://www.publico.pt/

AMBIENTE, HISTÓRIA E GASTRONOMIA TENTAM COMBATER SAZONALIDADE DA PRAIA DO BARRIL, EM TAVIRA

Mäyjo, 22.06.15

Ambiente, história e gastronomia tentam combater sazonalidade da praia do Barril, em Tavira (com VÍDEO)

A sazonalidade é um dos grandes problemas do litoral português, sobretudo a Sul, e várias câmaras, universidades ou mesmo empresas privadas têm tentado combater este flagelo com o desenvolvimento da economia local e serviços ligados ao ambiente e biodiversidade.

É o caso da Praia do Barril, em Tavira, que lançou em 2013 um projecto de desenvolvimento turístico que aposta na criação de emprego, recuperação da história da praia e suas infra-estruturas e no turismo sénior e ambiental para criar uma oferta diversificada, que não seja tão dependente do Verão e do Sol.

“É uma forma de interpretação do território de uma forma diversa do que tradicionalmente tem sido feito. O recurso do território é o ponto de partida da criação de um novo produto turístico”, explicou ao Economia Verde António Almeida Pires, um dos responsáveis pelo projecto.

Numa primeira fase, o projecto lançou o desafio a 170 jovens licenciados desempregados, que se propuseram a um estágio profissional de um ano. Destes, foram escolhidos dez, licenciados em diferentes áreas – da engenharia alimentar à arqueologia – que trabalham sob a orientação dos coordenadores do projecto.

Com a recuperação da infra-estrutura chega também uma mercearia, que venderá apenas produtos locais, e um museu. A mercearia estará ligada à economia regional, agrícola e piscícola.

Assim, e enquanto o engenheiro alimentar cria um novo licor a partir da laranja e alfarrobas, a jovem arqueóloga trabalha no museu da praia do Barril. Até 1966, a pesca do atum teve um peso muito grande na praia. De Abril a Setembro, viviam naquele arraial cerca de 80 pescadores e suas famílias. É esta gente que o museu quer homenagear.

Serão também identificados percursos de natureza, que poderão levar as pessoas à praia do Barril no Verão, como já acontece, mas também no Inverno. Assim se tentará combater a sazonalidade do Barril. Este projecto foi pensado por uma bióloga, que interpretou o território e criou percursos para caminhadas.

Veja o episódio 246 do Economia Verde.

Foto:  Tolbxela / Creative Commons

COMBATER A SAZONALIDADE ALGARVIA COM CAMINHADAS NA SERRA

Mäyjo, 25.04.15

Combater a sazonalidade algarvia com caminhadas na serra (com VÍDEO)

Há muito tempo que o turismo sénior do Norte da Europa encontra, em Portugal, um porto de abrigo, mas há sempre novas ideias e serviços disponibilizados a este público com grande poder de compra. Como as caminhadas na via algarviana, um percurso de 300 quilómetros entre Alcoutim e o Cabo de São Vicente.

“São caminhadas de longa duração, com períodos de uma semana ou quinze dias”, explicou ao Economia Verde João Ministro, da consultora de turismo de natureza ProActiveTur.

“Marcamos a viagem e preparamos o plano completo. As pessoas vão caminhando na via algarviana e pernoitando em vários sítios. Temos uma rede de parceiros locais, nas aldeias, com quem já trabalhamos há algum tempo”, continuou o responsável.

Um deles é o turismo rural Casa da Mãe, em Salir, que consegue, através deste serviço, contrariar a crise do interior português – e a sazonalidade algarvia. “Eles procuram sossego e pedem comidas tradicionais da serra. Depois passeiam à volta, vão até à Rocha da Pena”, frisou Graciete Valério, proprietária da Casa da Mãe.

São estes turistas, que procuram a calma e descontracção da serra algarvia, que acabam por combater a sazonalidade da economia da região. E o seu abandono. Para quem prefere o litoral, há também percursos específicos para observação de aves, como pode ver no episódio 227 do Economia Verde.

JOSÉ VITORINO: “O ALGARVE, O TURISMO E AS SUSTENTABILIDADE(S)”

Mäyjo, 29.03.15

jose vitorino

[ao Algarve]. Em matéria de conceitos, falar de sustentabilidade, além do ambiente, abrange também a sustentabilidade na economia e as sócio-políticas, o que nos remete para o desenvolvimento sustentável como realidade global integrada ideal.

Sobre o Algarve/Turismo, associado ao forte afluxo de turistas e intensa movimentação de pessoas e veículos, criou-se, extra-região, uma certa ideia de que por cá não há problemas de maior. Não é assim, contudo.

A região do Algarve é um “dom de Deus” e tem registado, nalgumas áreas, melhorias nas últimas décadas. E sobre a opinião dos estrangeiros que a conhecem, é oportuno transcrever a recente declaração da supervedeta dos treinadores, Louis Van Gaal: “Desejo instalar-me no Algarve. Tenho um paraíso à minha espera. Quero ir para lá, jogar golfe, aproveitar a fantástica comida e também os vinhos de grande qualidade. Para além disso, há praias e um clima muito agradável”.

De salientar, o elevado contributo da região em divisas para a balança de pagamentos.

Contudo, há muitas fragilidades e deficits no desenvolvimento sustentável. Conforme documentos oficiais da fase preparatória do QREN 2007/2013, resume-se: no PIB per capita e na receita média dos agregados familiares, a região perdeu posição na década de 90; há uma forte concentração da economia em poucos concelhos e no litoral (3/4 da população em 1/4 do território); é extrarregional a propriedade dos sectores mais importantes da economia, saindo da região grande parte das receitas geradas (turismo, transportes, grandes superfícies, serviços, etc.); há perda de competitividade do turismo; há forte quebra na agricultura; é insignificante a indústria transformadora; comércio tradicional em crise, etc.

As fragilidades dos outros setores económicos, da saúde, etc, provocam graves desequilíbrios. Por sua vez, a oferta e a pressão correspondente às cerca de 50 milhões de dormidas anuais está concentrada em poucas zonas, enquanto o “golpe fatal” nas sustentabilidades é dado pela fortíssima sazonalidade e seus impactos na actividade económica e difícil gestão empresarial, emprego, problemas sociais, segurança, equilíbrio da sociedade, etc.

A situação ainda fica mais agravada devido à actual escassez de massa monetária em circulação e baixos consumos, por estarem sediadas fora da região as grandes empresas que aqui operam, pelos 23% de IVA na restauração e pela queda abrupta das visitas de curta duração dos espanhóis, afugentados pelas portagens. Eram eles os maiores responsáveis pela injecção de milhões de euros em consumos na restauração, comércio e serviços durante todo o ano.

Por esta breve sinopse, conclui-se pelo potencial e deficits, sendo pois ciclópico o trabalho na rota do desenvolvimento sustentável.

Há soluções, mas as respostas pelo poder central tardam. Eu próprio tenho feito e tomado muitas iniciativas desde há décadas, em cargos oficiais e como dirigente em organizações da sociedade civil.

Umas resultaram e outras não. Pela positiva destaca-se a Universidade do Algarve, que depois de uma luta titânica foi aprovada pela Assembleia da República (de cujo Projecto de Lei fui o primeiro subscritor), sendo uma chave mestra para a sustentabilidade.

No fundo, o que as sustentabilidades têm que visar como objectivo supremo é a dignidade crescente do ser humano (de cada um e todos) e a defesa da natureza, num equilíbrio harmonioso.

É uma atitude cultural e um direito e obrigação de cidadania, a que por nós e pelos vindouros estamos obrigados! Devemos persistir!

 José Vitorino foi Secretário de Estado da Emigração, Deputado na Assembleia da República, Presidente da Câmara de Faro, Governador Civil, Presidente da Confederação dos Empresários do Algarve e de outras Associações. Como Deputado, foi o primeiro Subscritor do Projeto-Lei que criou a Universidade do Algarve. É licenciado em Finanças e Eng. Técnico Agrário, é dirigente associativo e autor de diversos estudos.

“O GRANDE POTENCIAL E A REPRESENTATIVIDADE, mas também as fragilidades, devem ser apontadas

 

ALGARVE NOMEADO UM DOS TRÊS PRINCIPAIS DESTINOS DE PÁSCOA DOS BRITÂNICOS

Mäyjo, 29.03.15

O paraíso algarvio

O Algarve é um “dom de Deus” e a região depende do seu clima, da sazonalidade e do turismo. As palavras de José Vitorino, ex-presidente da Câmara de Faro, materializam-se em notícias como esta, que têm origem na imprensa inglesa e dá conta que Algarve, Tenerife (Canárias, Espanha) e Chipre serão os três destinos mais em conta para os turistas britânicos, nestas férias da Páscoa, para viagens de última hora.

De acordo com o Daily Mail, a costa algarvia é, de resto, a que oferece “maior valor” ao turista inglês. “A libra forte significa que o Algarve tem os resorts familiares mais em conta para uma pausa de férias”, explica o Post Office Travel Money.

O jornal avisa que, no Algarve, o custo das refeições, bebidas e gelados desceu 20% em relação ao último ano, devido ao fortalecimento da libra em relação ao euro. Uma refeição custará €40 a uma família de quatro pessoas, menos €9,5 que no ano anterior.

Segundo o Daily, Mail, Tenerife e o Chipre estão igualmente em conta com os orçamentos britânicos, mas têm preços ligeiramente mais altos. “Será difícil bater [as propostas] de Portugal e Espanha mas, se o tempo deixar, a Grécia também é uma oferta de grande valor”, explicou Andrew Bolton, do Post Office Travel Money. “Os resorts italianos e franceses são mais caros”.

Fotos: Rui Ornelas / Luis Ascenso Photography / Sue / Pepe Martin (Mário José Martins) / amaianos / Oliver Clarke / Francisco José Blanco Arcos / Peter Broster / Marco Dias / Kevin Walsh / Creative Commons